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Substância presente na Cannabis sativa inspira novos medicamentos
Por Lucia Beatriz Torres
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Os receptores canabinóides (CB1 e CB2) despertam a curiosidade por serem uma classe de receptores acoplados à proteína G (GPCR), que são ativados por substâncias conhecidas como canabinóides. Popularmente conhecidos por estarem presentes na folha da maconha (Cannabis sativa), os canabinóides também podem ter origem endógena, serem produzidos pelo próprio corpo (endocanabinóides), ou sintética, estando presentes, por exemplo, na fórmula de vários medicamentos. XX EVQFM

O Sativex® é um medicamento que foi lançado em 2005, no Canadá, para combater a esclerose múltipla. Seus princípios ativos são os componentes canabinóides tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD). Já o nabilone (Cesamet®) é um cannabinóide sintético usado com um analgésico adjuvante para tratar a dor neuropática, que também foi aprovado combater a anorexia e perda de peso pacientes com Aids.

Atualmente há muitas empresas farmacêuticas investindo nesta linha de pesquisa. Os receptores canabinóides tem dado origem a diversas patentes. É uma classe de compostos muito promissora“ – observou o Prof. Dr. Pier Giovanni Baraldi da Universidade de Ferrara, na Itália.

Em sua conferência na XX Escola de Verão, o Prof. Baraldi confessou que o seu interesse pelos receptores cannabinóides é relativamente recente. Antes o cientista italiano dedicava sua pesquisa aos compostos antagonistas dos receptores adenosinérgicos (A1, A2A, A2B, A3).

Apesar de ter ingressado na área há pouco tempo, o grupo de Baraldi, em Ferrara, já produziu mais de 200 compostos sintéticos com atividade canabinóide. Esses compostos estão sendo avaliados como candidatos a fármacos analgésicos e a pesquisa gerou uma série de quatro artigos publicados, em 2013, nos importantes periódicos científicos de alto índice de impacto Journal of Medicinal Chemistry e Pain.

Em sua conferência, o Prof. Pier Baraldi demonstrou que a estrutura típica das quinolonas, geralmente usadas como agentes antibacterianos, também é capaz de interagir com o receptor canabinóide CB2, mostrando-se útil para o desenvolvimento de novos agentes analgésicos e anti-inflamatórios.

Segundo o cientista da Universidade de Ferrara, os compostos sintetizados apresentaram uma afinidade agonista in vitro para o receptor CB2 em nível nanomolar (1-10 nM) e se mostraram completamente seletivos contra o receptor CB1.  Baseado na estrutura típica das piridonas, o grupo do Dr. Baraldi construiu quimicamente diferentes heterociclos como pirazola, tiofeno, triazola, entre outros.

Foto: Lucia Beatriz Torres
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Pier Giovanni Baraldi, Universidade de Ferrara, na Itália

“A função carboxila típica da estrutura das quinolonas foi substituída por uma carboxamida lipofílica e o nitrogênio da quinolona foi alquilado com diferentes cadeias alquilicas, preferencialmente uma cadeia pentilica“ descreveu o especialista italiano em Química Medicinal, que investiu esforços em modificações estruturais para chegar a um candidato a fármaco ideal, com potência e seletividade otimizada.

O Prof. Pier G. Baraldi ao longo de sua carreira já teve inúmeras colaborações científicas com empresas farmacêuticas como GloxoSmithKline, Boehringer, Schering-Plough, entre outras. Muitas dessas colaborações resultaram em alguns em protótipos que estão sendo atualmente testados para diferentes doenças.

Para conhecer melhor o trabalho do Prof. Baraldi na área dos receptores canabinóides acesse a confêrencia.


“New agonists with quinolonic structure of the CB2 cannabinoid receptor”

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