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CICLO DE CONFERÊNCIAS
Envelhecimento Saudável como Prevenção da Doença de Alzheimer
Por Lucia Beatriz Torres
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Como pesquisar medicamentos para uma doença que não se conhece a causa? Como testar a atividade de um novo composto candidato a fármaco em um modelo animal ainda não validado? Esses são alguns desafios encontrados pela Química Farmacêutica Medicinal para desenvolver novos fármacos para as doenças neurodegenerativas, como a esclerose múltipla, Parkinson e Alzheimer.

Estima-se que as doenças degenerativas afetem 20 milhões de pessoas no mundo e este número deve dobrar a cada 20 anos, com o envelhecimento da população. Os esforços de pesquisa, nas últimas três décadas, para se descobrirem as bases moleculares da fisiopatologia da doença, levaram à identificação de novos possíveis alvos para intervenção terapêutica. No entanto, apesar de vários compostos chegarem aos ensaios clínicos, apenas tratamentos paliativos foram aprovadas pelas agências reguladoras, sendo o último em 2002. XX EVQFM

“Conhecida como a pandemia do século XXI, o Alzheimer não só afeta o cérebro dos pacientes, mas o coração dos seus entes queridos“ – foi assim de maneira poética e emocionante que a Profa. Dra. Ana Martinez Gil, do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), em Madrid, Espanha,  conduziu a sua conferência na XX Escola de Verão.

Com um discurso aberto e sincero, que conseguiu cativar os jovens da plateia para a importância de mais estudos na área, a Profa. Ana Martinez apresentou os esforços do seu grupo de pesquisa para se chegar a um novo medicamento para a doença de Alzheimer.

XX EVQFM Segundo a professora, que é autora de importantes livros como “Emerging drugs and targets for Alzheimer´s disease” (2010), “El Alzheimer“ (2009) e “Medicinal Chemistry of Alzheimers Disease“ (2008), um dos principais problemas das doenças degenerativas é que elas são silenciosas e muitas vezes se confundem com outras doenças: “As doenças degenerativas ficam por muito tempo escondidas no paciente e, quando vem à tona, já estão em estagio avançado, sendo difícil de reverter a perda neuronal“.

Em sua conferência, a Profa. Ana Martinez apresentou o protótipo de um teste portátil para detectar a presença de β-amielóide no sangue. O teste pode, no futuro, ser uma das soluções para diagnosticar a propensão da doença de Alzheimer em exames de rotina de laboratório. Segundo a especialista, o teste irá facilitar o tratamento precoce da enfermidade, prevenindo a morte dos neurônios.

Foto: Lucia Beatriz Torres
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Ana Martinez Gil, do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), da Espanha

Desde 1995, a Profa. Ana Martinez Gil foca os seus interesses de pesquisa nas doenças degenerativas, já tendo coordenado inúmeros projetos envolvendo a química medicinal e o desenho racional de novos medicamentos para a terapia de Alzheimer. Em 2000, a cientista teve alguns de seus resultados licenciados pela NeuroPharma (atualmente Noscira), tendo assumido o cargo de diretora de P, D & I da empresa.

Durante o período que trabalhou na Neuropharma, a Profa. Ana Martinez coordenou vários projetos de pesquisa chegaram ao estagio pré-clínico, sendo dois em desenvolvimento clínico. Desde 2008, a cientista que é mãe de 7 filhos retomou a sua posição no Instituto de Química Medicinal no CSIC e lidera projetos em novas terapias para as doenças degenerativas envolvendo inibidores de GSK-3, entre outros.

A especialista recomenda que, enquanto novas drogas ainda estão em desenvolvimento, a população pratique o envelhecimento saudável. Algumas mudanças no estilo de vida, como alimentação mediterrânea, um pouco de exercício físico, estímulo intelectual e convívio social, segundo Ana Martinez são as melhores formas de aumentar a reserva cognitiva e evitar a morte neuronal causada pelo Alzheimer.

Para saber como nasce um novo fármaco para a Doença de Alzheimer acesse a conferencia da Profa. Ana Martinez Gil.

“Neurodegenerative diseases: an urgent challenge for drug discovery and development”

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