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Eletron Spin Resonance (ESR), nova técnica para combater doenças parasitárias
Por Lucia Beatriz Torres
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O estudo de antioxidantes e radicais livres sempre foi uma tarefa complexa devido às características específicas destas espécies químicas, como reações em baixas concentrações e meia-vida curtas. As técnicas disponíveis até então nem sempre produziam bons resultados e, em alguns casos, podiam apenas ser aplicadas em modelos químicos. A partir do surgimento da Electron Spin Resonance (ESR) a Ciência deu um importante passo a frente nesta área.

  Fonte: Pysics.nyu.edu
A Electron Spin Resonance (ESR) é uma técnica muito sensível que pode ser usada para investigar concentrações muito baixas de radicais livres, provando que eles são estáveis o suficiente para que sua presença seja detectada. A ferramenta tecnológica permitiu o estudo da capacidade antioxidante de uma grande variedade de compostos e a detecção de diferentes tipos de radicais livres em diversas reações, em que estão envolvidos. XX EVQFM

Trazendo um olhar interdisciplinar para a Escola de Verão, o Prof. Claudio Olea Azar da Universidade do Chile, apresentou as atuais técnicas disponíveis associadas ao Electron Spin Resonance (ESR) para o estudo de antioxidantes. Em sua conferência, o professor chileno demonstrou alguns dos mais relevantes avanços no uso destas técnicas para o estudo de doenças parasitárias.

“Os radicais livres estão presentes em 90% das doenças, atuando como agentes protetores ou causadores da enfermidade. Sendo assim é importante estudar os radicais, pois eles estão relacionados com o mecanismo de ação das doenças“ - observou o Prof. Claudio Olea, lembrando que geralmente os radicais livres não são tóxicos, mas em alguns casos eles podem fazer mal à saúde, se apresentados em grandes concentrações.

Alguns medicamentos utilizados no tratamento de doenças parasitárias envolvem espécies de radicais livres e a Electron Spin Resonance (ESR) é uma técnica especial para detectar e avaliar estes drogas, obtendo relevantes informações sobre mecanismo de ação desses medicamentos.

Trazendo a oxidação para mais próximo da realidade da platéia, o Prof. Olea citou o exemplo do vinho. Comparou o vinho francês com o chileno, dizendo que a diferença entre os dois era que o vinho francês demorava mais para oxidar.

Segundo o sommelier-cientista Claudio Olea, depois que a cepa da uva Carménère (original da França) foi cultivada no Chile, os vinhos do seu país não deixam nada a desejar aos franceses. Os vinhos chilenos, entretanto, precisam ser consumidos mais rápidos que os franceses” – observou.

O grupo de Claudio Olea, na Universidade do Chile em Santiago, estuda o comportamento de famílias de fármacos cujo mecanismo de ação envolve a formação de radicais livres. Dedica-se principalmente à pesquisa das características fisiopatológicas entre as células tumorais e as de parasitas, como T. cruzi, com foco na bioenergética e no estresse oxidativo.

Foto: Lucia Beatriz Torres
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Claudio Olea Azar, da Universidade do Chile

Dessa forma, novos alvos terapêuticos específicos são escolhidos pelo seu grupo de pesquisas para o desenho de novos fármacos anticâncer e tripanomicida. Neste contexto, são usadas estruturas químicas conhecidas (nitroheterociclos, quinonas, triazolo -piridinas , etc) com base em suas propriedades biológicas, com objetivo de obter novos derivados para cada alvo biológico.

Para saber mais sobre a Eletron Spin Ressonance (ESR)  acesse a conferência do Prof. Claudio Olea Azar.

“Electron Spin Resonance as a Powerful Tool for Studying Antioxidants and Radicals involved
in Parasitic diseases”

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