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CICLO DE CONFERÊNCIAS
Novas abordagens terapêuticas para a Doença de Chagas
Por Lucia Beatriz Torres
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A Doença de Chaga é uma parasitose sistêmica crônica causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.  Considerada a maior doença parasitaria do continente americano, a Doença de Chagas é a causa mais frequente dos problemas cardíacos e mortalidade na população carente de áreas rurais da América Latina. No entanto, a doença continua a ser uma das mais negligenciadas no mundo, não havendo ainda tratamento etiológico totalmente seguro e eficaz. Devido às migrações, a doença de Chagas está se espalhando por regiões não endêmicas.

- A maior colônia de japoneses fora do Japão mora no Brasil, em São Paulo, no bairro da Liberdade. Um número significante desses japoneses quando retornam carregam consigo, sem saber, a doença que pode ser disseminada no Japão por transfusão de sangue“ – alertou o Prof. Dr. Julio Urbina, do Instituto Venezuelano de Investigaciones Cientificas.

Em sua conferência, o cientista apresentou as abordagens mais promissoras para o desenvolvimento de novos medicamentos para a Doença Chagas, desde a ciência básica até os ensaios clínicos. Descobertos na década de 70, o nifurtimox e benzonidazol são os fármacos disponíveis para tratar a doença que têm eficácia limitada e efeitos adversos, que podem em uma percentagem grande dos casos levar a interrupção do tratamento.

Segundo o pesquisador venezuelano, que tem colaborações com vários grupos de pesquisa em todo o mundo e com o Programa internacional Drugs for Neglected Diseases iniciative (DNDi), um dos principais desafios para o desenvolvimento de novos fármacos anti-T. cruzi é a falta de biomarcadores validados para avaliar a resposta dos antiparasitários e, eventual, cura parasitológica de indivíduos cronicamente infectados. XX EVQFM

Em sua conferência, Julio Urbina também levantou o debate em torno da nova concepção da doença e defendeu a relevância de um tratamento específico para pacientes crônicos. Segundo ele, há um consenso crescente de que a Doença de Chagas deve ser tratada como infecciosa e não como uma doença autoimune. O seu tratamento devendo ser oferecido a todos os soropositivos, independente da fase em que se encontra a doença.

Levando em conta que, estudos recentes atribuem a persistência do parasita ao fator chave que sustenta as respostas inflamatórias cronicas que estão na base das manifestações patológicas da doença, o Prof. Urbina desfez o mito de que a Doença de Chagas é incuravel. “Se você eliminar o parasita a progressão da doença pode ser parada ou revertida“ – alertou o cientista que luta diariamente para colocar em prática o lema do DNDi, trazer a melhor ciência para os mais negligenciados/Best Science for the Most Negleted.

Foto: Lucia Beatriz Torres
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Julio Urbina, do Instituto Venezuelano de Investigaciones Cientificas, Venezuela

Segundo o Prof. Julio Urbina, entre as abordagens mais promissoras para o desenvolvimento de novos fármacos anti Trypanossoma cruzi estão o uso de inibidores da biossíntese do ergosterol (EBI), em particular os inibidores de CYP51. Dois compostos, o posaconazol (Merck) e o ravuconazol (E1224, Eisai) estão em ensaios clínicos fase II na América Latina e Espanha.

A combinação de terapias tem obtido sucesso no tratamento contra o HIV-AIDS, tuberculose, malária e outras doenças parasitarias por aumentar a eficácia do tratamento e prevenir o desenvolvimento de resistência ao medicamento. Em sua conferencia, Urbina ressaltou que a mesma lógica deve ser usada no tratamento da Doença de Chagas. O uso de benzonidazol, nifurtimox ou amiodarona combinado com inibidores da biossíntese do ergosterol (EBI) podem se transformar no tratamento de escolha para a Doença de Chagas no futuro.

Para conhecer outras abordagens promissoras para o desenvolvimento de novos medicamentos anti-T. cruzi acesse a conferência do Prof. Julio Urbina.

“New drugs for Chagas disease treatment: From basic science to Clinical Trials“

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